Centro de Produções Técnicas


Reconhecimento e controle da broca do café

O controle de pragas resulta em maior produtividade e qualidade do café

cafeeiro frutos 250x162 Reconhecimento e controle da broca do café

A Broca do café possui uma grande capacidade de proliferação que a classifica como um problema fitossanitário em quase todos os países produtores de café

Existem 37 pragas no cafeeiro e, apesar de ser grande o número, todas são controláveis, desde que o cafeicultor procure conhecê-las, monitorá-las e controlá-las. Para se obter a produtividade esperada na lavoura de café, o controle das pragas deve ser feito juntamente com os tratos culturais normais, como adubações, capinas, podas, desbrotas e outros.

Das 37 pragas, 9 são as principais: Bicho-mineiro, Broca-do-café, Mosca-da-raiz, Ácaro-vermelho, Ácaro da mancha anular, Cigarra, Formiga cortadeira, Cochonilhas e Lagartas-taturanas.

Júlio César de Souza, professor do curso Pragas do Cafeeiro – Reconhecimento e Controle, elaborado pelo CPT – Centro de Produções Técnicas, explica como reconhecer e controlar a Broca-do-café.

Broca do café

Considerada uma das principais pragas do cafeeiro no Brasil, a broca-do-café (Hypothenemus hampei) surgiu no país em 1913 através da importação de sementes de café da África e Java. Rapidamente o inseto se disseminou por todos os estados produtores, causando vultosos prejuízos quantitativos, qualitativos e econômicos, que refletiram diretamente na economia nacional.

Para assegurar aos cafeicultores que possam produzir cada vez mais um produto de qualidade que atenda ao mercado interno e às importações, a EPAMIG (Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais) vem desenvolvendo, desde 1972, trabalhos de pesquisa sobre a broca-do-café, buscando informações sobre sua flutuação populacional, monitoramento, época de controle, defensivos mais eficientes, entres outras.

A broca-do-café ataca os frutos em qualquer estágio de maturação. Ela é uma praga monófaga, tendo como hospedeiro apenas o cafeeiro. Possui um ciclo biológico relativamente curto e uma grande capacidade de proliferação que a classifica como um problema fitossanitário em quase todos os países produtores de café.

A alta umidade das lavouras favorece a sobrevivência da broca nos frutos remanescentes na árvore e no chão. A broca sofre metamorfose completa, ou seja, passa pelas fases de ovo, larva, pupa e adulta. O adulto é um besourinho preto luzido de corpo cilíndrico e ligeiramente recurvado para a região posterior. As fêmeas apresentam asas membranosas e voam, já os machos as possuem atrofiadas, não voam e permanecem nas sementes dos frutos de onde se originaram.

Existem três métodos de controle dessa praga: a cultural, a biológica e a química. Para o controle cultural deve-se evitar frutos nas plantas e no chão, pois a broca poderá sobreviver neles durante a entressafra para infestar, posteriormente, a nova frutificação. Nas lavouras adensadas, mais favoráveis à broca e de difícil controle com o inseticida endosulfan via pulverização, a prática da catação por terceiros após a colheita e a varrição do café devem ser estimuladas, procurando-se, assim, evitar a sobrevivência da broca nos frutos remanescentes na entressafra.

A colheita deve ser iniciada pelos locais ou talhões mais infestados da lavoura, pois a broca apresenta grande capacidade de reprodução. Em anos de alta infestação, os últimos talhões colhidos são os que apresentam maiores níveis de infestação. Devem-se também, com o intuito de reduzir fontes da broca, eliminar cafeeiros não explorados comercialmente, como talhões velhos e já improdutivos e as lavouras abandonadas, bem como estimular os vizinhos a fazer o mesmo e também controlar a praga.

Para o controle biológico da broca-do-café, atualmente, ainda têm sido feitas tentativas com espécies de parasitóides. O controle químico normalmente não é feito em toda a lavoura, fica limitado a talhões, já que a broca apresenta infestação desuniforme. Este controle visa matar os adultos (fêmeas) que estão penetrando nos frutos antes que ponham ovos nas sementes e as larvas eclodidas causem prejuízos ao se alimentarem delas. O controle químico da broca poderá ser feito conjuntamente com o da ferrugem e com a aplicação de micronutrientes em adubações foliares.

O curso Pragas do Cafeeiro – Reconhecimento e Controle, produzido pelo CPT – Centro de Produções Técnicas, contém informações mais aprofundadas sobre a broca-do-café e também sobre o reconhecimento e o controle das principais pragas do cafeeiro.

Por: Virgínia Maria de Araújo


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